Fichas rendimento
Introdução
As fichas de rendimento que apresento nestas páginas, são as minhas fichas de rendimento e apenas isso. Não são fichas oficiais nem pretendem ser fichas de referência ou um estudo académico sobre rendimentos na construção civil.
A minha forma de criar fichas de rendimento é muito diferente da forma “oficial” e quem por aqui passa, tem de estar ciente disso.
Fichas estáticas
Quase todos os conjuntos de fichas de rendimento que conheço, sejam as do LNEC, seja o BEDEC, seja o FIEDBC (base do Arktec e da Cype), baseiam-se num principio:
Criar 1 ficha de rendimento para cada situação. Cada alteração ou variante, implica a criação de uma nova ficha de rendimento. Embora pareça lógico, isto leva à criação de centenas de fichas o que torna muito difícil encontrar a ficha correcta (caso exista). Um exemplo clássico são as fichas de betão armado. Se pensarmos na quantidade de combinações (densidades) possíveis entre betão, cofragem e aço, facilmente chegamos às centenas.
Chamo-lhes fichas estáticas porque usam-se como estão, sem qualquer variável. Este sistema tinha lógica num mundo pré-informático onde os cálculos eram executados em papel. Com as possibilidades que a informática nos dá, é um sistema ineficiente. Criar e manter algo assim, é virtualmente impossível. Não temos pessoas nem tempo para tal.
Fichas dinâmicas
A minha solução é criar fichas de rendimento simples (com uma única actividade) e combiná-las em super fichas e acertá-las caso a caso através do preenchimento de algumas variáveis e a partir dai o preço é calculado automaticamente. Por isso, lhes chamo fichas dinâmicas
Como exemplo de uma super ficha de betão armado em pilares, combino 1 ficha de betão, 1 de cofragem e 1 de armaduras e através do preenchimento das variáveis A, B, C e D calculo o preço.
Desta maneira, com 3 fichas simples, orçamento quase todas as combinações possíveis de densidades.
Aviso
A utilização destas fichas de rendimento e dos preços é da vossa inteira responsabilidade. Se fossem de utilização cega ou apenas copy&paste, não precisávamos de orçamentistas, um computador chegava
Modelo da ficha de rendimento
Este modelo é constituído por 4 zonas, divididas entre si pelo separador vermelho, conforme podem ver nas imagens abaixo. Estas zonas são:
- Artigo
- Rendimentos
- Decomposição do preço
- Matriz de eficiência
As células com fundo em cor são as células que podem sem preenchidas ou alteradas
Zona 1 – Artigo
Nesta zona estão as definições do artigo (descrição e un), a quantidade a executar e o preço unitário e valor de custo assim como o preço unitário e valor de venda.
O preço unitário de venda é calculado a partir do preço unitário de custo acrescido da margem de lucro (sim, a malta não trabalha de borla, embora ultimamente me pareça que andamos a pagar para trabalhar). É definida na zona da matriz de eficiência
Zona 2 – Rendimentos
Esta zona é constituída por sub zonas correspondentes aos 4 grandes grupos pelos quais dividimos os custos nos orçamentos:
- Mão de obra
- Materiais
- Equipamentos
- Subempreitadas
Esta divisão é pessoal. Há quem use outros grupos, como tarefeiros, equipamento alugado e equipamento próprio. Varia muito de empresa para empresa.
Os quadros, julgo que carecem de grandes explicações com a excepção da coluna equipa no quadro da mão de obra.
Quando se trabalha com rendimentos, trabalhamos com valores em horas / homem / unidade. No entanto, as equipas de trabalho são sempre constituídas por oficiais e por serventes. Esta coluna é para indicar a relação percentual de oficiais (70%) / serventes (30%) de forma a utilizarmos um valor hora ponderado.
As duas colunas da direita, calculam as quantidades e valores necessários para executar a quantidade do artigo, isto é, no exemplo, são as quantidades e valores necessários para executar 100m2
Zona 3 – Decomposição do preço
Distribuição dos custos - Quadro resumo com os custos distribuídos pelos grupos em valor e percentagem. Mera estatística
Preços corrigidos para os diversos tipo de obra – Estes valores são valores calculados a partir da matriz de eficiência (mais abaixo) e pretendem reflectir as diferentes eficiências da mão de obra em diversos tipos/tamanhos de obra. Julgo ser consensual que fazer 1000m2 é completamente diferente de fazer 10m2.
Verifica ? – É uma verificação que faço para verificar que não tenho erros nas fórmulas ou que alguém não mexeu onde não devia.
Zona 4 – Matriz de eficiência
Matriz de eficiência – Neste quadro estão as eficiências para cada tipo de obra. Como cheguei a esta percentagens? a sentimento.
Para evitar andar a criar fichas de rendimento até à eternidade, crio apenas uma ficha para uma obra “média” e através das percentagens corrijo o preço para obras mais pequenas e maiores, isto é, uso a obra tipo 3 com factor de correcção 1. Alterando estas percentagens, podemos afinar a ficha para cada situação ou empresa.
Coluna eficiência - Preenche-se com as percentagens adequadas à nossa empresa
Coluna Lucro - Preenche-se com as margens de lucro que queremos para cada tipo de obra
As colunas tamanho de obra e área de construção podem ser alteradas à vontade. Todo este quadro é geralmente estático, sendo alterado uma vez.
Tipo de obra – É talvez o quadro mais importante de todos. É aqui que escolhem (preenchendo a célula laranja) quais os valores da eficiência de mão de obra e margem de lucro que vão utilizar no cálculo do preço.
Preenchendo com o valor 1, vão utilizar os valores de eficiência = 70% e margem de lucro = 40% (Obra muito pequena)
Preenchendo com o valor 2, vão utilizar os valores de eficiência = 85% e margem de lucro = 35% (Obra pequena)
Preenchendo com o valor 3, vão utilizar os valores de eficiência = 100% e margem de lucro = 25% (Obra média)
Preenchendo com o valor 4, vão utilizar os valores de eficiência = 115% e margem de lucro = 15% (obra grande)
Preenchendo com o valor 5, vão utilizar os valores de eficiência = 130% e margem de lucro = 5% (Obra muito grande)
Claro que permite umas brincadeiras quando se pretende justificar um preço ao dono de obra, usando-se por exemplo, uma eficiência baixa (70% ou menos) e uma margem pequena (5%).
Donativos
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